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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Jung I - Arquétipo da totalidade



“Imagem de Deus – o termo provém dos Pais da Igreja;  segundo eles, a Imago Dei está impressa na alma humana. Quando aparece espontaneamente nos sonhos, fantasias, visões, etc, deve, sob o ponto de vista psicológico, ser compreendida como símbolo do si mesmo. , símbolo da totalidade psíquica. C.G. Jung: ‘Só  por meio da psique podemos constar que a divindade age em nós, dessa forma, somos incapazes se essas situações provêm de Deus ou do inconsciente, isto é, não podemos saber se a divindade e o inconsciente  constituem duas grandezas diferentes; ambos são conceitos-limites para conteúdos  transcendentais. Pode-se, entretanto, constatar empiricamente, com suficiente verossimilhança, que existe no inconsciente um arquétipo da totalidade, que se manifesta espontaneamente nos sonhos, etc,  e que existe uma tendência independente do querer consciente, visando pôr outros arquétipos em relação com este centro.

Por esse motivo, me parece improvável que o arquétipo da totalidade não possua, ele também, uma posição central que o aproxime singularmente da imagem de Deus.  A semelhança é ainda sublinhada, em particular, pelo fato de que esse arquétipo cria um símbolo que sempre serviu para caracterizar e exprimir imagisticamente a divindade... A imagem de Deus não coincide propriamente com o inconsciente em sua fatalidade, mas com um conteúdo particular deste último, isto é, com o arquétipo do si mesmo. É esse último que não sabemos separar empiricamente da imagem de Deus.” C.G. Jung, Memórias, Sonhos, Reflexões, Compilação e prefácio de Anilla Jaffé, p.354.

“O  que chamamos símbolo é um termo, um nome  ou uma imagem que nos pode  ser familiar na vida diária, embora possua conotações além do seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga,  desconhecida ou oculta para nós. Muitos monumentos cretenses, por exemplo, trazem o desenho de um duplo enxó. Conhecemos o objeto, mas ignoramos suas conotações simbólicas. Tomemos como outro exemplo o caso de um indiano que, após uma visita à Inglaterra, contou na volta aos seus amigos que os britânicos adoravam animais, isto porque vira inúmeros leões, águias e bois nas velhas igrejas. Não estava informado (tal como muitos cristãos) que esses animais são símbolos dos evangelistas, símbolos provenientes de uma visão de Ezequiel que, por sua vez, tem analogia com Horus, o deus egício do Sol e seus quatro filhos. Existem, além disso, objetos tais como a roda e a cruz, conhecidos no mundo inteiro mas que possuem, sob certa condições, um significado simbólico” C.G.Jung, O Homem e seus símbolos, p.20.

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