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domingo, 12 de dezembro de 2010

Gilbert Durand - Introdução 1


"O pensamento ocidental e especialmente a filosofia francesa têm por constante tradição desvalorizar ontologicamente a imagem e psicologicamente a função da imaginação, 'fomentadora de erros e falsidades'. Alguém notou, com razão, que o vasto movimento de ideias que de Sócrates, através do augustinismo, da escolática, do cartesianismo e do século das luzes, desemboca na reflexão de Brunschcicg, Lévi-Bruhl, Lagneau, Alain ou Valéry tem como consequência o 'pôr de quarentena' tudo o que considera férias da razão. Para Brunschvicg, toda a imaginação - mesmo a platônica! - é 'pecado contra o espírito'. Para Alain, mais tolerante, 'os mitos são ideias em estado nascente' e o imaginário é a infância da consciência.
"Poder-se-ia esperar, parece, que a psicologia geral fosse mais clemente para com a 'louca da casa'. Mas não. Sarte mostrou que os psicólogos clássicos confundem a imagem com o duplicado mnésico da percepção, que mobilia o espírito com 'miniaturas' mentais que não passam de cópias das coisas objetivas. No limite, a imaginação é reduzida pelos clássicos àquela franja aquém do limiar da sensação que se chama imagem remanescente ou consecutiva. É sobre esta concepção de um imaginário desvalorizado que floresce o associativismo, esforço certamente louvável para explicar as conexões imaginativas, mas que comete o erro de reduzir a imaginação a um puzzle estático e sem espessura e a imagem a um misto , muito equívoco, a meio caminho entre a solidez da sensação e a pureza da ideia. Bergson deu o primeiro dos golpes decisivos no associativismo ao abrir dimensões novas no constinuum da consciência. No entanto, Bergson não liberta completamente a imagem do papel subalterno que a psicologia clássica a fazia desempenhar. Porque, para ele, a imaginação reduz-se à memória, a uma espécie de contador da existência, que funciona mal no abandono do sonho mas que volta a regularizar-se pela atenção perceptiva à vida", G. Durand, As Estruturas antropológicas do imaginário, p.21-22.

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