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domingo, 21 de novembro de 2010

Uma canção



Uma canção jamais sairá da minha mente.
Eu ouvi essa canção um dia, no meio do caminho, como Dante
Como Dante, no meio do caminho, um dia, encontrou Beatriz.
Hoje eu sei que ela confundirá meus sentidos enquanto eu viva,
Eu a ouvirei misturada ao som das coisas que caem no chão,
Ou que sejam sopradas pelo vendo leve de uma tarde de domingo.
Não se importará que eu esteja na estrada distante,
Ou no fundo do quintal de casa; longe ou perto; cansado ou triste.
Não sairá da minha memória porque é de todos os tempos,
De antes e de depois.
Sinto que essa canção será a própria memória de mim.
Ancestral, anunciou para mim o meu destino
E me chamou para a vida que era minha desde sempre:
Uma canção de encontro; uma canção de amor.
Cérbero a me indicar o caminho: passado, presente e futuro.
Passagem livre para entrar; eu jamais quis mesmo sair.
Quando ouvi, entendi assim os seus versos
Ou então não entendi os seus versos,
Especialmente talvez estes: os que falavam do tempo.
Bastava, pra mim, a vitória de Hércules no seu último trabalho.
Mas a melodia tinha acertado em cheio meus ouvidos,
A ponto de me jogar no vazio pleno do medo.
Medo de amar e ser feliz inscrito nos versos da canção que ouvi.
Os seus versos são minha inscrição e revelação oracular,
E ainda soarão e estarão comigo quando eu estiver de pé,
Lá no fim, mesmo que às margens de mim, nas margens de Aqueronte,
Olhando fixo, resignado e respeitoso, para a sombra do barco
Do barqueiro que vem me buscar.
(25/04/2010)

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